Cadeirantes tem deficiência física. A sociedade tem deficiência moral

Existem milhares deficientes físicos em nosso país, ou seja, pessoas com necessidades especiais. Quando falamos em necessidades especiais, talvez a primeira tópica que nos venha à mente seria a questão de ônibus, calçadas… mal adaptados à eles mas, morando agora em uma ‘cidade grande’, posso observar que estas não são as únicas dificuldades encontradas por essas pessoas. Neste post tomarei como base o caso dos cadeirantes.

por Li França

cadeirante pessoas

Em vários locais pude observar que os cadeirantes possuem grandes dificuldades como locomoção devido à calçadas inadequadas, embarque em ônibus… mas o que mais me intriga é a relação interpessoal dos ditos ‘normais’ com essas pessoas.

   Se eu pudesse definir em uma única palavra o que tenho visto por aí, seria intolerância. Fico abismada como as pessoas são intolerantes quando tem de ceder um lugar na fila preferencial, que são justamente para eles; ou até mesmo ceder um lugar no ônibus ou deixar de estacionar em uma vaga reservada para os cadeirantes. Por várias vezes eu estava no ônibus e cadeirantes deram sinal para embarcar e foram comuns comentários do tipo “Nossa, bem hoje que estou atrasado”, ou “Iiii, agora vai demorar”, ou seja, o que vejo na sociedade é um quadro de desrespeito e intolerância com o outro.
   Mas, o que mais me chama a atenção não são os aspectos físicos e materiais não adaptados da sociedade, mas é a não consideração do sentimento ‘do outro’. Quem é ‘normal’ não precisa se preocupar em incomodar aos outros com pedidos de favor, em pedir para empurrar uma cadeira de rodas numa subida, em ter que ver estampado no rosto de passageiros de ônibus a intolerância, o preconceito e o egoísmo. Por isso, as pessoas poderiam ser mais humanas e ver que ali existe um ser humano como todos os outros e considerar que junto dele, há sentimentos, expectativas e frustrações.
   Cada um desenvolve sua personalidade a partir de suas vivências, tendências biológicas… e, quando uma pessoa adulta torna-se cadeirante, será que não vale pensarmos o quanto dessa personalidade pode ser modificada tanto negativa quanto positivamente, dependendo do modo de cada um para encarar as coisas? O quanto uma pessoa pode sofrer, num primeiro momento, para aceitar primeiramente a si e depois essa relação de dependência e limitações físicas?  Neste momento, como será que essas pessoas encaram este estilo de vida?  Ou melhor, como você encararia se acontecesse com você? Esse é o segredo da empatia: ter a capacidade de colocar-se no lugar do outro para, somente assim, compreendê-lo e aceitá-lo como parte integrante de sua mesma sociedade.
   Acredito que ruas mal adaptadas, o aumento de filas e vagas preferenciais, o governo pode resolver, mas o que tem de ser mudado é a consideração para com essas pessoas especiais e para com suas necessidades, fazendo com que demonstremos respeito e empatia pois, afinal, o destino, às vezes, faz com que uma criança nasça com problemas que a tornem deficiente mas também pode levar ‘um adulto normal’ para este outro lado da vida.
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Publicado em abril 23, 2013, em Para Refletir e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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