Adaptações facilitam o aprendizado de pessoas com deficiência visual

A quem não possui familiaridade com o universo das pessoas com deficiência, pode parecer extremamente difícil o aprendizado em salas de aula convencionais a crianças e jovens cegos ou com visão subnormal. Para Maria da Graça França Corsi, que atua no Programa de Apoio Pedagógico da Laramara (Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual), instituição que presta atendimento a pessoas com deficiência visual, esse aprendizado é perfeitamente possível e tranquilo, desde que consideradas as devidas adaptações. Esse programa visa facilitar o desenvolvimento e socialização de crianças e adolescentes, encaminhando-os à escola, e prestando acompanhamento e orientação ao corpo docente. 


A pedagoga defende a existência de salas de recursos especiais que contem com professores especializados que auxiliem o professor e o aluno do ensino regular em suas necessidades. A Laramara é uma das instituições que oferecem esse tipo de suporte, através desse programa, que é desenvolvido por cinco pedagogas: duas trabalham com crianças e jovens cegos e três trabalham com crianças e jovens de baixa visão ou visão subnormal.
Graça destaca que o programa atende crianças com faixa etária acima de quatro anos. Faz avaliação em conjunto com a família, observa o que a criança consegue fazer, quais atividades desenvolve e, estando em idade escolar, se há dificuldades na escola. “Muitas vezes, a criança chega na escola com sete ou oito anos sem nunca ter recebido nenhum apoio pedagógico. Nós procuramos saber quais foram as dificuldades e soluções encontradas, pois nem sempre a criança recebeu acompanhamento desde bebê”, afirma. A pedagoga acrescenta que, muitas vezes, a chegada na escola nem sempre é uma experiência tranqüila, sendo um processo doloroso, até porque muitas ainda têm receio de recebê-las.
Existem também aquelas escolas que apresentam uma abertura e preparação maiores para lidar com alunos com necessidades educacionais especiais, em função da publicação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, que estabelece a inserção de crianças com deficiência em escolas de ensino regular.
Segundo ela, o processo de inclusão pede uma abordagem diferenciada, desde as adaptações curriculares até o fornecimento de material. “Se a escola da rede pública possui uma verba para seu plano de desenvolvimento escolar e recebe uma criança cega, a compra de material para esse aluno deve ser contemplada”, explica.
A pedagoga ressalta que o trabalho realizado pelo programa junto a escola, desde o início, favorece as adaptações curriculares. “É a forma de se trabalhar com todas as crianças sem particularizar, dentro da sala de aula, o conteúdo da criança que possui deficiência visual”, defende.
Graça destaca que 90% das crianças e jovens atendidos pela Laramara encontram-se no ensino regular. “Particularmente, eu atendo 85 crianças e jovens que estudam em escolas de ensino regular. O aproveitamento é semelhante ao das demais crianças que contam com o envolvimento da escola e da família”, revela.

RECURSOS

Dependendo da deficiência, a criança cega ou com visão subnormal, precisa de alguns recursos pedagógicos diferenciados, como a máquina braile em substituição ao caderno comum e materiais com pautas ampliadas, que podem ser providenciados pela escola ou pela família. Se for da rede estadual, esses materiais podem ser fornecidos pelo CAPE (Centro de Apoio Pedagógico Especializado), órgão a serviço do ensino aos portadores de deficiência. Segundo a pedagoga, a diferença entre esses cadernos e os comuns é que as linhas são mais escuras e o espaçamento entre elas é maior. Ela destaca que são também necessários lápis com grafites mais espessos, canetas de pontas porosas e pranchas de plano inclinado, para evitar a aproximação dos olhos sobre o caderno, má postura e dores no pescoço; além de auxílios ópticos, como lentes especiais. A criança pode, ainda, receber as atividades que forem escritas na lousa, impressas numa folha avulsa. “Com esses recursos, uma criança com deficiência visual encontra-se no mesmo padrão de igualdade que seus colegas, a diferença é que os demais usam a visão de longe e ela usa a visão de perto”, explica, acrescentando que não se trata de particularizar o ensino dentro da classe regular, mas de adaptar o currículo de modo que todos possam aproveitar.
Graça reconhece que, muitas vezes, o professor sente-se sobrecarregado, tendo que ensinar a uma sala de 30, 40 alunos e o tempo é curto para esse número de crianças. Nessas circunstâncias, não só o aluno com deficiência visual provoca desconforto no professor, mas também aquele com dificuldade de aprendizagem, irrequieto. “O professor precisa ter toda comunidade escolar envolvida no processo de aprendizagem, desde o porteiro que observa a dificuldade que a criança tem para chegar até a sala da aula, até o diretor da escola. Todos devem ter responsabilidade sobre o processo de inclusão escolar”, ressalta.

Serviço
Quem quiser obter informações sobre o Programa de Apoio Pedagógico da Laramara pode acessar o site www.laramara.org.br.

 

Fonte: Ame-SP

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Publicado em setembro 26, 2012, em Artigos e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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